terça-feira, 12 de novembro de 2013

Morreu Rui Valentim de Carvalho

Morreu ontem o editor de Amália Rodrigues, administrador da Valentim de Carvalho durante mais de 50 anos

"A maneira como o meu sobrinho gosta de si, é impossível ser mais bem tratada noutro sítio." A carta do fundador da Valentim de Carvalho a Amália Rodrigues - que David Ferreira nunca leu mas de que sempre ouviu falar - explicava bem a paixão que Rui Valentim Barbosa de Carvalho tinha pela fadista. Antes de ser o seu editor histórico era um admirador. "A relação com Amália começou como fã, quase a persegui-la. Ela ficou agradada, claro, mas chegou a dizer-lhe: 'Devia era ir atrás da minha irmã mais nova, a Betinha'", conta David Ferreira, sobrinho de Rui Valentim de Carvalho. Onze anos mais novo, torna-se editor de Amália em 1952, tinha então 21 anos, e iria trabalhar com ela até a diva do fado morrer, em 1999. "Tinham uma relação próxima, ele ia para o estúdio, não ficava fechado no gabinete. Naquelas famosas sessões em que ela levava arroz de pimentos e pastéis de bacalhau, ele estava lá. Também assiste a espectáculos pelo mundo fora e defende-a quando o fado de Amália choca muitos. Estava sempre do lado dela", diz David Ferreira. O musicólogo e especialista em fado Rui Vieira Nery acrescenta mais detalhes sobre a relação. "Preocupou-se sempre com dar a Amália as condições ideais para esta gravar sem constrangimentos, num ambiente informal, quando queria. A Amália gravava durante a noite, até à hora que melhor lhe convinha, cercada de amigos, para que o seu talento não fosse perturbado. Era um grande amigo pessoal da Amália, nos momentos mais difíceis, no pós-25 de Abril e, mais à frente, na doença dela. Um pilar da vida e da carreira da Amália."

EDITOR EXEMPLAR O "grande Editor do século xx", como a empresa - onde trabalhou mais de 50 anos e que foi fundada pelo seu tio, Valentim de Carvalho - o recordou, morreu ontem no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, aos 82 anos, sofrendo de doença de Alzheimer. O "editor exemplar", lembrado "como pessoa muito afectuosa, muito requintada e culta", nas palavras de Rui Vieira Nery, não trabalhou apenas com Amália Rodrigues. Outros grandes nomes do fado passaram pela editora, Carlos Paredes, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Carlos Ramos, Lucília do Carmo, Max, Maria Teresa de Noronha ou Fernando Farinha. Ainda nos anos 80, ao lado da mulher, Maria Nobre Franco, administrava a Valentim quando saem nomes como Rui Veloso, GNR ou António Variações. E já antes tinha assinado com nomes que nada tinham a ver com o fado, como Quarteto 1111, Sheiks e Duo Ouro Negro. No final dos aos 60 vai para Angola e apaixona-se pela música angolana. "Ele é recordado pela sua ligação à Amália, mas é muito mais do que isso, até pela circunstância de ler levado para os seus estúdios o sobrinho David Ferreira e Francisco Vasconcelos, que são sem dúvida dois dos principais responsáveis por quase tudo o que é bom na música portuguesa de hoje, desde o tempo do rock do Rui Veloso a dos Madredeus. Tanta gente... É indiscutivelmente uma das figuras incontornáveis da música portuguesa", defende o jornalista Pedro Rolo Duarte, que conheceu o editor e o recorda como um homem muito generoso. As preocupações artísticas e de qualidade estavam sempre presentes, como defende Rui Vieira Nery: "No universo da indústria discográfica há normalmente uma obsessão com o lucro. No Tim, como era conhecido, sempre vi o fascínio pela música, a paixão pela arte, a vontade de fazer coisas que ficassem como legados artísticos importantes."

Houve um nome que ficou fora do seu legado mas sempre na sua wish list. "Sei que ele queria muito José Afonso, que gravou quatro músicas e depois foi para a editora Orfeu. Como a Valentim de Carvalho era uma grande editora, o José embirrava porque a imagem era a do sistema", conta David Ferreira.

Visionário, foi ele que criou os estúdios Valentim de Carvalho, nos anos 60, que se tornaram uma referência. Depois da primeira gravação de Amália para a Editora Valentim de Carvalho, em Londres, nos estúdios de Abbey Road, a vontade de fazer um estúdio assim em Portugal tornou-se mais forte. Os estúdios em Paço de Arcos eram tão bons que nomes como Júlio Iglésias, Cliff Richard, os Shadows, Vinícius de Moraes e os Rolling Stones vieram cá gravar.

APARELHOS E BOTÕES Esta história podia começar como uma brincadeira de miúdos que adoram mexer em botões e construir engenhocas e ficar-se por aí. Um estágio a montar rádios e pronto. Mas Rui Valentim de Carvalho, filho do advogado Jacinto Barbosa de Carvalho e de Adelaide Carvalho, irmã mais nova do fundador da editora, acabou por mudar o final da história.

Aos 13 anos, ainda no ensino técnico, vai trabalhar para a empresa fundada pelo tio em 1914. A Valentim de Carvalho começou por vender gramofones e instrumentos musicais. Só seis anos depois se tornaria a primeira editora discográfica portuguesa. "Dirigir a empresa é uma coisa que nem lhe passava pela cabeça. Tinha um tio com uma empresa e ele, encantado com rádios, vai para lá. A primeira paixão eram os aparelhos. Depois, aos 15, o tio manda-o para Inglaterra, para a EMI", conta David. Chegar a Inglaterra não o deixa com a mania das grandezas e vai trabalhar como operário. "O Rui vai estagiar, mas não é num lugar importante, vai para a fábrica meter discos nas prensas. Depois faz os recados em Abbey Road e ainda esteve atrás do balcão da loja His Master's Voice em Oxford Street. Aprende-se a trabalhar", explica o sobrinho.

Homem reservado, tímido até, não gostava de dar entrevistas. O sobrinho recorda que, quando foi o incêndio no Chiado - a editora ficava na Rua Nova do Almada -, o tio não queria falar com os jornalistas e empurrou o jovem David Ferreira para falar. Mas o que fica para a história é o seu trabalho de editor e, para o sobrinho, a pessoa muito afectuosa, generosa e informal que "adorava cães e que os cães adoravam". Vanda Marques / I (com Miguel Branco)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Discossete

A Discossete, editora independente dirigida por Helena Cardinalli, existe há 12 anos e é uma das poucas empresas do ramo que, ao longo desta época de crise, tem apostado regularmente no lançamento de novos títulos de fado. É uma companhia onde, em contraste com as outras por nós contactadas, não se fala nem em nostalgia, nem em fundos de catálogo, mas no presente da música portuguesa.

No capítulo do fado de Lisboa, os seus nomes mais fortes são Maria Armanda, Vítor Duarte, Cidália Moreira, António Mourão, António Severino e dois familiares de Alfredo Marceneiro que lhe seguem as pegadas - o filho Alfredo Marceneiro Jr e o neto Vítor Duarte. Na especialidade do fado de Coimbra, a Discossete conta em catálogo com os doutores Raul Diniz, Serra Leitão e Camacho Vieira, além do Grupo de Serenata de Coimbra. Há, portanto, uma aposta forte no fado de Coimbra, mesmo se o fado de Lisboa vende mais. Os campeões de vendas desta companhia são António Mourão e Cidália Moreira.

Helena Cardinalli diz que escolhe os seus artistas pelo critério do talento, mas a fonte onde sobretudo vai beber é a da Grande Noite do Fado. Foi lá que descobriu Anabela, um dos seus mais recentes êxitos, e é de lá que vem Mário André, que ganhou a última edição daquele certame e vai agora gravar na Discossete. Além disso, ou dos lançamentos desses nomes, houve já uma primeira compilação com jovens artistas que se estrearam na Grande Noite e uma segunda está prevista para este ano.

PUBLICO, 31/03/1994

DISCOSSETE - ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO E EDIÇÃO MUSICAL, L.DA - Cessão de funções da gerente Maria Helena Cardinali da sociedade Silva Simões Serra, por renúncia em 22 de Dezembro de 1998.

Two more records followed the success of the first ones, this time sponsored by Materfonis, produced by Helena Cardinali, and Directed by Luis Duarte. Under the name of “Stella e Marcela” with two songs entitled “Na Discoteca” (The Disco), and “As Noticias” (The News), both written by Stella and Marcela. The last record was launched in Portugal was in 1983 by

“Discossete – Estudios de Gravação e Edição Musical, Ltd. Produced by Helena Cardinali and directed by Luis Duarte.

CDsete

Cdsete - Indústria de Gravação e Edição Fonográfica S.A
Praça Manuel Cerveira Pereira, 6-C
Lisboa
1900-313 LISBOA

NIF 503706175
CAE 59200
Início de Actividade - 1996

Actividade - Actividades de Informação e de Comunicação
Categoria - Actividades de Gravação de Som e Edição de Música

http://www.linkb2b.pt/empresas/cdsete-industria-gravacao-503706175.php

Cdsete - Indústria de Gravação e Edição Fonográfica S.A
Rua Prof. Mira Fernandes Lt 20, 6º - C
Lisboa
1900-383 Lisboa

http://codigopostal.ciberforma.pt/dir/empresa.asp?emp=28066

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Discos pedidos

DICIONÁRIO DA RÁDIO
«Viró» disco

Dicionário da Rádio

A programação para hoje é a seguinte: dentro de momentos, o habitual programa «Peça o que quiser», com os discos solicitados pelo correio.

13:00
23 de Outubro 00

Transcrição possível de uma emissão feita no Porto há mais de 40 anos

Estúdios da ORSEC/SERL na Rua Fernandes Tomás, no Porto, a transmitir em onda média através dos Emissores do Norte Reunidos.

São agora 13 horas e 2 minutos. Saudamos os nossos rádio ouvintes neste dia cinzento de 24 de Fevereiro de 1957.

Tal como acontece às 4.as feiras, a emissão da ORSEC vai até às 16 horas.

A programação para hoje é a seguinte: dentro de momentos, o habitual programa «Peça o que quiser», com os discos solicitados pelo correio.

Às 14 horas transmitiremos uma rubrica com «Música Ligeira Variada».

Pelas 14 horas e 45 minutos contamos apresentar a crítica semanal de cinema, com a assinatura do locutor Eugénio Alcoforado.

Na última hora de emissão, entre as 15 e as 15:55, poderão ouvir o programa especial «Vidas dos Grandes Compositores», elaborado em exclusivo para os estúdios da ORSEC/SERL.

E como por certo já se aperceberam, este tema «Wheels» é o nosso indicativo pessoal e da nossa rubrica preenchida com os discos solicitados.

De entre a volumosa correspondência recebida, começamos pelo ouvinte Fernando Alvedrinhas, de Arcozelo. Pede-nos um samba canção pelo popularíssimo cantor brasileiro Dick Farney, um trecho à nossa escolha.

Ele aqui está: «Copacabana». É um disco de 78 rotações...

A nossa prezada ouvinte Emília Augusta Guedes, de S.Mamede de Infesta, escreve-nos dizendo que ouve sempre os Emissores do Norte Reunidos e muito especialmente as emissões da ORSEC. Agradecidos pela atenção dispensada.

Fala-nos dos «singles» agora surgidos no mercado com as novidades do «pop rock» e pergunta se os estúdios da ORSEC andarão atentos e já possuem singles na discoteca. Claro que sim, estimada ouvinte Emília!

Aqui tem um deles, tal como todos os singles, em 45 rotações.

Trata-se do êxito ONLY YOU, pelo conjunto vocal The Platters.

É agora a vez de atendermos o pedido expresso na carta do nosso prezado ouvinte Jeremias Anunciação, da rua de Cedofeita, no Porto.

Diz-nos constar que algumas canções portuguesas até aqui disponíveis em 78 rotações vão sendo editadas em discos de 33 rotações e 1/3.

Tem toda a razão. A prova está neste long play, o primeiro da nossa Amália. Escolhemos especialmente para si uma das faixas, o fado/canção «Barco Negro», do filme «Amantes do Tejo». Esperamos que lhe agrade.

Perdão!...

Houve aqui um pequeno percalço no acerto da velocidade no gira-discos. Mas já está remediado. As nossas desculpas!

No final da nossa emissão, lamentamos o uso insistente do plural majestático. Estamos «desolado»...
Mas é assim que se fala na rádio, neste ano da graça de 1957.

A primeira pessoa do singular, na rádio, segue dentro de uns... 25 anos! Mais ou menos.

ajb@tsf.pt
http://tsf.sapo.pt/online/primeira/interior.asp?id_artigo=TSF17721

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Warner

(...) crise afectou profundamente a Warner, ao ponto de a empresa ter dispensado 50 por cento dos seus funcionários: de 14 para sete pessoas. Com uma quota de mercado de 8,52 por cento em 2003, a Warner caiu cerca de 40 por cento no trimestre que passou, disse o seu director-geral Daniel de Sousa. "A Warner esteve prestes a fechar em Portugal no final de 2003. Consegui convencer a casa-mãe de que com esta estrutura é rentável. Deram-me o benefício da dúvida. Houve uma reestruturação total. Deixámos de ser tão agressivos". Para recuperar nas vendas, "a Warner decidiu colocar os preços dos DVDs musicais ao nível dos CDs". A actual situação teve ainda um efeito directo: "Do nosso lado morreu, por agora, a aposta na música portuguesa."

JOSÉ J. MATEUS / Público, 02/05/2004

A Warner fez um acordo com a Farol.

Warner Home Video (Portugal) Unipessoal, Lda
Actividades de Gravação de Som e Edição de Música
Concelho: Oeiras
Início de Actividade: 1991

Warner Music Portugal Lda
Actividades de Gravação de Som e Edição de Música
Concelho: Oeiras
Início de Actividade: 1986

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Rádio Triunfo

A Grande Aventura da Gravação

Livro de 1977 elaborado a propósito da comemoração dos 100 anos de Gravação Sonora. Realizado por uma equipa de trabalho da Rádio Triunfo, Lda. sob a coordenação de J. A. T. Lourenço da Silva. Foi composto e impresso nas oficinas de Gráficos Reunidos, Lda. e editado pela RT em Julho de 1977.

Referido anteriormente num texto de José Manuel Osório


imagem retirada do blog Industrias Culturais - ler mais sobre a editora

terça-feira, 22 de maio de 2012

Copacabana

Meu nome é Clovis Candal. Sou brasileiro. Fui um cantor profissional por mais de 40 anos aqui no Brasil.

Em 1963, minha gravadora, a COPACABANA DISCOS cedeu para a COMPANHIA PORTUGUESA DE DISCOS da cidade do Porto alguns tapes de gravações minhas que foram lançados em discos de vinil aí em Portugal. Eu cheguei a ter em mãos um exemplar da música CONFISSÃO que estava gravada em um compacto e que conquistou o prêmio ELEFANTE D'OURO outorgado pela Rádio Triunfo de Porto, prêmio este que me foi entregue aqui no Brasil e que muito me honrou. Como eu extraviei este exemplar, estou recorrendo aos amigos para ver se posso conseguir outro.

Meu e-mail é: clovis.cantor@hotmail.com Desde já fico-lhes muito agradecido e desejo-lhes muitas felicidades. Abraços Clovis Candal

[retirado de comentário de Clovis Candal no blog Guedelhudos]


terça-feira, 10 de abril de 2012

Edisco



Entrámos na Edisco, na Maia, e desvendámos o interior de uma cassete. É a única fábrica da Península Ibérica que ainda as faz. Nos anos 80 e 90, saíam 15 mil por dia; hoje, nem sempre chegam às 300 por mês. Depende dos "rockeiros", diz Armando Cerqueira. Eles é que "movimentam o negócio".

Fundada em 1979, a Edisco, herdeira da Discos Rapsódia e da Casa Figueiredo, é hoje a editora mais antiga do país. Esteve no início de Nel Monteiro e até de Zeca Afonso.

Foi Armando quem convenceu os sócios a apostar na fabricação das cassetes, nos tempos em que a a cassete ainda era "o futuro". Aqui ainda é o presente, pelo menos por enquanto — há fita suficiente em "stock", mas a cassete propriamente dita começa a escassear.

Uma história abreviada de um processo complexo, quase em vias de extinção.

Amanda Ribeiro / Público, 21/03/2012

http://p3.publico.pt/cultura/mp3/2554/no-interior-da-cassete

Lê mais sobre a história da Edisco na edição impressa do PÚBLICO e sobre as cassetes no P3.

VIDEO

Video no youtube (No interior da cassete)

É o único sítio do mundo onde tratam da mesma forma “Let’s Talk About Love”, dos Modern Talking, e o Grupo Folclórico de S. Torcato. É a única fábrica de cassetes da Península Ibérica. Verdes, vermelhas, amarelas, pretas, transparentes e alinhadas, fita imaculada à espera das bandas, que agora aparecem com uma “pen” no bolso. Nos anos 80, a Edisco, na Maia, chegou a gravar e embalar 15 mil cassetes por dia. Agora são no máximo 300 por mês. “São os roqueiros”, como diz Armando Cerqueira, orgulhoso das suas máquinas onde um dia correu “Balada de Outono” e “Os Vampiros”, de Zeca Afonso.

Luis Octavio C
osta / Público (P3)

http://p3.publico.pt/cultura/mp3/2536/falemos-de-cassetes